Archive for Janeiro, 2009
Quanto vale sua consciência?
Jan 8th
Entrando no ritmo do movimento anti-socialista e auto-critico iniciado pelo mais revoltado de nossos companheiros (o jabanês Hiarlen) e prorrogado anteriormente pelo nosso companheiro Paulo com seu ótimo artigo sobre plágio, aproveito a ocasião para também fazer minhas criticas. Mas antes de começar a espinafrar, peço que os mais amáveis leitores do mundo mantenham a calma. Não vou me estender tanto quanto no artigo sobre gambiarras. Sintam-se aliviados pois vou fazer o possível para conseguir me expressar com pelo menos três linhas de texto a menos.
O Jabá mais polêmico do mundo já foi palco de discussão dos mais diversos assuntos, porém algumas renderam uma safra de adjetivos que pode-se julgar como no mínimo merecíveis pela sociedade. Outro dia lembrei que quando minha irmã era pequena, chorava todos os dias ao ver a Xuxa decolando em sua grande nave cor-de-rosa supostamente tendo como destino um dos planetas mais gays ou fashion (escolha o que mais lhe agrada) do sistema solar. Isso me levou a pensar sobre quão emotivas algumas pessoas podem ser, e então me toquei que por culpa do Hiarlen, muitos miguxos (amigos do Zé) que visitam nosso blog podem ter chorado. O Hiarlen foi duro quando disse que a sociedade era cruel com os pobres e insensível com os idosos, gestantes e deficientes físicos. Já o Paulo, ahhh esse meu amigo músico… Com seus ouvidos apurados e uma percepção de mestre conseguiu desmascarar uma das mais consagradas bandas do Brasil. Desse jeito até a gente faz uma canção “Fácil, extremamente fácil…”.
Mas a verdade é uma só. O jabá é áspero e seco. E se você não agüenta a acidez da realidade, pare de ler esse artigo por aqui e vá jogar videogame ou assistir novela. Aviso… Só continue se você não se importa em descobrir que aquilo tudo que você vê na malhação é uma ilusão. Não me culpe posteriormente por acabar com seus sonhos.
Certo, se você teve culhões para chegar até essa linha, isso significa que você cansou de viver nesse seu mundinho de mentira e está pronto para se libertar. Parabéns Mr. Anderson. Divirta-se.
Relato do ocorrido:
Era apenas mais um dia quente de verão. Após três dias seguidos de bebedeira, resolvi ficar de molho e me preparar fisicamente e psicologicamente para a segunda-feira.
Indescritível foi minha surpresa ao perceber que fui abraçado por trás (literalmente fodido) pela sinusite. Prontamente resolvi ir até a farmácia mais próxima para me auto-medicar (entenda como medicação sem prescrição médica) (pelo amor de Deus, nunca façam isso em casa) com uns tóxicos casuais.
Na volta pra casa, inclinado a aquiescer (gostou desta Valdézio?) ao oferecimento de um caldo de cana, cheguei próximo ao vendedor que berrava discretamente: -Chega mais meu filho. Vem provar uma garapa que vai tirar toda sua sede nesse dia quente dos infernos.
Aproximei-me então e percebi que além do vendedor havia mais duas pessoas ali. Uma dona de casa e sua pequena filha de aparentemente 10 anos.
Após algumas palavras com o vendedor de caldo de cana, percebi que a dona, sem perceber havia deixado cair um bolinho de notas de R$ 50 aparentemente totalizando uns R$ 200. Imediatamente com a mais honesta índole alertei-a sobre o dinheiro sob seus pés. Logo em seguida fui presenteado com uma das palavras mais nobres e louváveis do mundo, o “obrigado”.
Até aí tudo bem, afinal só havia exercido o que meus pais já vinham me ensinando desde pequeno, a honestidade.
Cada golada do saboroso caldo de cana com limão parecia me levar ao paraíso, mas foi então que fui puxado de volta a terra ao ouvir o seguinte comentário da boca da mulher: -Você ficou sabendo da mulher que achou três envelopes com cinco mil reais no carrinho do super-mercado e devolveu? Que mulher idiota! Onde já se viu. Tem que ser muito trouxa mesmo.
Imediatamente fiquei sem palavras, afinal, tinha acabado de avisá-la sobre o dinheiro que perdera ali. Seria eu também um idiota?
Preferi reservar meus comentários para não ofender aquela mulher. Mas se ela pudesse ler pensamentos… teria saído correndo dali.
Infelizmente temos que conviver com situações onde as pessoas que praticam a honestidade ficam vistas como trouxas. Acredito que isso seja cultural, porém, fico imaginando em que exato momento deixamos a ganância nos mudar. Qual a diferença entre meu caso e o da mulher do mercado? O valor? Então é aceitável que os fins justifiquem os meios?
Como diria meu amigo revoltado Hiarlen: -É culpa do sistema!
Sim, nesse caso concordo com ele. Mas pasmem, logo após ouvir os comentários infames da dona de casa fui agraciado com as seguintes sinceras palavras do vendedor: -Ao contrário minha senhora! Ela não foi idiota ou trouxa, mas sim honesta. E ao contrario do que muitos provam, ainda há pessoas honestas nesse mundo.
Deixo aqui minhas criticas a sociedade; Criticas a má índole e desonestidade; Criticas aos cidadãos que permitem que seus filhos presenciem comentários infames de pessoas que deveriam ser exemplos para eles. Também fico na esperança que essas pessoas não se permitam anestesiar devido a triste realidade que presenciam entre um e outro comercial da novela das 20Hrs.
